sexta-feira, 17 de abril de 2015

Modalidades da Comunicação nas EaDs

A partir do tipo de comunicação e suporte tecnológico podemos classificar as formas de interação que ocorrem no sistema de Ensino a Distância em Modalidades de Comunicação no Ensino a Distância.

Quanto aos Tipos de Comunicação, eles podem ser:
Um-para-Um;
Um-para-Muitos;
Muitos-para-Muitos.
umparatodos
muitos-para-muitos

As Modalidades de Comunicação no Ensino a Distância podem ser classificadas segundo a sua natureza de comunicação entre os tutores e alunos, como:

Curso de Natureza Síncrona

Curso via comunicação síncrona é todo aquele que exige que os interlocutores estejam conectados ao serviço no mesmo momento para que haja a troca de mensagens. Está comunicação é interativa e está relacionada ao uso de mecanismos de comunicação síncronos à semelhança do telefone, entre outras tecnologias que permitam a interação de forma "on line". Muito usada nos cursos a distância devido à interação instrutor/aluno.

Exemplos de Serviços Síncronos:

sincrona

Curso de Natureza Assíncrona

É todo aquele caracterizado pela comunicação que, semelhantemente ao telegrama, possui momentos para envio e recepção de mensagens diferidos no tempo. A interação entre tutores e alunos não é em tempo real (on line). Um Curso caracterizado pelo aprendizado independente, onde o aluno recebe materiais para estudar ilustra bem o caso.

Exemplos de serviços assíncronos:

assincrona


Curso de Natureza Semi-síncrona

São cursos baseados em mecanismos de comunicação síncrona, porém que também utilizam formas de comunicação assíncrona. Nem todos os cursos ultilizam somente a comunicação síncrona, em função da inflexibilidade de tempo e horário, isso justifica o fato de a maioria das intituiçoes de ensino disponibilizarem material de apoio via mecanismos assíncronos, como FTP, WWW, e-mail.


Cursos de Natureza Semi-assíncrona

São cursos que mesmo que baseados em mecanismos assíncronos, ultilizam ocasionalmente as formas de comunicação síncrona. A disponibilização de telefones para contato do aluno ao serviço de atendimento em caso de dúvidas sobre os materias de um determinado curso a distância ilustra bem o caso.

Quadro1: Modalidades da Comunicação nas EaDs

Tipo de ComunicaçãoNatureza da ComunicaçãoSuporte teconlógico
Um-para-UmSíncronaTelefone, videofone
Um-para-UmAssíncronaE-mail, FTP
Um-para-MuitosSíncronaTransmissão interativa por satélite
Um-para-MuitosAssíncronaListas de discussão
Muitos-para-muitosSíncronaTransmissão interativa por satélite
Muitos-para-muitosAssíncronaReuniões através do Computador


Vantagens da Comunicação Assíncrona

  • Flexibilidade de horário - O aluno pode dedicar-se ao curso no momento em que lhe for mais apropriado, incluindo a duração e frequência de suas sessões de estudo. Além de ter acesso ao material, especialmente na internet, a qualquer hora, dia e lugar.
  • Flexibilidade de lugar - O estudante pode dedicar-se ao curso no lugar onde lhe for conveniente, sem haver necessidade de local predefinido.
  • Flexibilidade de ritmo - O estudante pode evoluir nos estudos dos conteúdos didáticos segundo a sua velocidade de aprendizado pessoal. Assim, ele pode estudar uma determinada matéria em menos ou mais tempo que nas aulas de um curso interativo ou presencial.
  • Tempo para reflexão - Tanto o instrutor quanto o aluno tem oportunidade e tempo para se esclarecerem quanto às idéias do conteúdo , consultar outras fontes a fim de enriquecer o conhecimento.
  • Aprendizado local - Como a tecnlogia possibilita o acesso às informações de qualquer lugar e a qualquer hora, o estudante pode mais facilmente integrar os conteúdos do curso ao seu ambiente, seja em casa ou no trabalho, no sábado ou na segunda.
  • Custo razoável - Mecanismos de comunicação assíncrona exigem menos sofisticação por parte de tecnologias. Geralmente baseam-se em textos, slides, pequena largura de banda e computadores, facilitando ainda mais o oferecimento de cursos, acesso e redução de custos.
Desvantagem: Isolamento - As comunicações de natureza assíncrona deixam a desejar quanto à interação do aluno com instrutores e com outros alunos, fazendo sentir-se uma possível sensação de isolamento.


Vantagens da Comunicação Síncrona

  • Interação com o instrutor, discussão - Os alunos podem interagir com tutores através dos mecanismos de comunicação síncrona, variando de curso para curso. Em alguns, o instrutor só responde dúvidas via chat; em outros, tutores on line tiram dúvidas até mesmo em outros horários via telefone.
  • Melhor acompanhamento - Cursos síncronos tem melhor assistência devido a interação que existe entre alunos e instrutores.
  • Bom feedback - Sistmas síncronos favorecem um retorno mais rápido e atingimento de consenso no grupo.
  • Motivação - Esses mecanismos síncronos enfatizam também uma maior sinergia de grupo, motivando o aluno a continuar o curso.
Desvantagem: Alto custo de Infra-estrutura - Essas tecnologias que caracterizam a sincronicidade da comunicação exigem equipamentos mais sofisticados, ao contrário dos mecanismo assíncronos, e são menos flexíveis. Por isso que as Instituições de Ensino a Distância ultilizam, em sua maioria, os dois mecanismos a fim de que melhore o custo de oferecimento e flexibilidade para o aluno.


Assistência nas EaDs

Os cursos do Ensino a Distância também podem ser classificados quanto à assistência ao alunos:
  • Cursos Assistidos – São aqueles em que existe um instrutor para responder às dúvidas dos estudantes sobre os conteúdos apresentados, além de acompanhá-los no andamento do curso.
  • Cursos Desassistidos – São aqueles que essa tal presença é inexistente.
Os cursos podem ser:
  • Síncrono assistido:teleconferência;
  • Síncrono desassistido: TV;
  • Semi-síncrono assistido: videoconferência apoiada por material na web;
  • Semi-síncrono desassistido:TV apoiada por web (telecurso 2000);
  • Semi-assíncrono assistido:material na web + chats entre alunos e professor;
  • Semi-assíncrono desassistido:material na web + chat entre alunos;
  • Assíncrono assistido: material na web + e-mail entre aluno e professor;
  • Assíncrono desassistido: material na web + e-mail/ lista de discussão entre amigos.
Quadro 2: Características de cursos EaD

SíncronoAssíncrono
AssistidoDesassistidoAssistidoDesassistido
Flex. De horáriopéssimapéssimaótimaótima
Flex. De tempopéssimaboaótimaótima
Flex. De ritmopéssimapéssimaboaboa
Interação c/ instrutorótima_ruim_
Isolamentom.baixopéssimoaltom.alto
Acompanhamentobompéssimoruimpéssimo
Custo Infra-Estruturam.altoaltobaixobaixo


Modelos de Ensino a Distância

  • Salas de Aula Distribuídas – Comunicação síncrona. Local e horário fixo para que estudantes e instrutores realizem o curso. Esse modelo estrutura-se a partir de tecnologias multimídias capazes de levar conhecimentos a pontos diferentes no globo. A instituição responsável controla o andamento e o local onde deverá ser realizado o curso. As aulas envolvem comunicação síncrona e acontecem, geralmente, pelo menos uma vez por semana. O locais de encontro podem variar de 2 (ponto a ponto) para 5 ou mais (ponto a multiponto). Quanto maior o número de locais envolvidos maior a complexidade técnica e logística.
  • Aprendizado Independente – Os estudantes recebem material, programa do curso e assistência. Nesse modelo os alunos podem fazer o curso independente do local onde estão e não têm que se adequar a escalas fixas de horário. A instituição coloca à disposição do aluno um monitor que o acompanhará, fornecendo respostas e avaliando seus exercícios. A interação entre o monitor e o estudante é viabilizada através das seguintes tecnologias: telefone, voicemail, conferência via computador, correio eletrônico e correio tradicional.
  • Estudo AbertoAulas – Os estudantes recebem material e discutem os conteúdos nas aulas, onde também fazem trabalhos.Este modelo envolve a utilização de material impresso e vídeos, que possibilitem ao aluno estudar no seu próprio local. Outras tecnologias que envolvam os alunos também poderão ser utilizadas para o aprendizado. Os alunos se reúnem periodicamente em grupos, em locais específicos, para receber apoio instrucional. Nas aulas discutem-se os conteúdos, esclarecem-se conceitos, realizam experiências em laboratórios, simulações e outros exercícios relacionados com a aprendizagem.


Fonte: http://ensinoadistancia.wikidot.com/comunicacao-e-assistencia-nas-eads

Ferramentas Utilizadas em EAD

FERRAMENTAS INTERATIVAS:


Ferramentas interativas são aquelas utilizadas para facilitar o processo de ensino-aprendizagem e estimular a colaboração e interação entre os participantes de um curso baseado na web”. 

Tipos de Ferramentas Interativas:


1) Ferramentas assíncronas  “são aquelas que independem de tempo e lugar e podem revolucionar o processo de interação entre professores e estudantes”. Tendo como exemplos:


  • E-mail, que é considerada a ferramenta mais utilizada na Internet e que permite  a troca de mensagens e compartilhamento de informações; o envio e recebimento de textos simples, arquivos de áudio, planilhas eletrônicas, imagens, anexos (arquivos atachados), podendo utilizar dispositivos de  segurança para criptografar as mensagens.
  • Fórum ou Lista de discussão,  possibilita a comunicação entre membros de um projeto ou de pessoas interessadas em temas específicos; Podem ser abertas ou restritas a participação de novos indivíduos.
  • Webblogs ou Blogs é um diário virtual. Sendo a ferramenta mais conhecida e utilizada no contexto educativo;
  • FTP  –  é um protocolo para disponibilização de arquivos contendo áudio, textos, imagens ou vídeo.

2) Ferramentas síncronas são aquelas que exigem a participação dos professores e estudantes em eventos marcados, com horários específicos para que possam acontecer. Ocorrem em tempo real (on line),  dão  aos alunos da EAD e aos professores, como também a todos envolvidos na instituição, grupos e comunidades interação  de forma instantânea e a sensação de perseverar a continuidade do seu curso. Tendo como exemplos:
  • Chat (Sala de bate-papo), meio com potencial didático a ser estudado, pouco utilizado nas atividades pedagógicas, permite a comunicação síncrona, entre distintas pessoas que se encontram conectada em determinado momento.  Estudos na literatura sobre o uso pedagógico do chat ainda são iniciais, a maior  parte destes materiais se limitam a assinalar suas características gerais, sem  entrar em detalhes sobre suas possibilidades concretas. Assim, faz-se necessário  realizar estudos experimentais relacionados com seu uso como ferramenta de comunicação e ferramenta pedagógica gerando aprendizagem e mecanismos de superação das dificuldades e limitações oferecidas no uso do Chat na aprendizagem.
  • Videoconferência, é uma forma de comunicação interativa que permite que duas ou mais pessoas que estejam em locais diferentes possam se encontrar face-a-face com áudio e comunicação visual em tempo real. Seu uso apresenta uma série de vantagens: economia de tempo, evitando o deslocamento físico para uma local especial e economia, com a redução dos gastos com viagens mais um recurso de pesquisa, já que a reunião pode ser gravada e disponibilizada posteriormente. 
  • Audioconferência, sistema de transmissão de áudio, recebido por um ou mais usuários simultaneamente. 
  • Teleconferência é todo tipo de conferência a distância em tempo real, envolvendo transmissão e recepção dos diversos tipos de mídia, com sons e imagens direto de um local.

O usos destas ferramentas possibilita uma maior interação e aproveitamento dos conteúdos pelos  alunos, consequentemente conseguimos um melhor feedback do aproveitamento da turma. Estas ferramentas se tornaram essenciais para a popularização da educação à distância nos últimos anos.

Fonte: http://eadbr2012.blogspot.com.br/2012/12/ferramentas-utilizadas-em-ead.html

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Interacionismo simbólico - aplicabilidade: Comunicação e cibercultura






A comunicação, feita por meio da linguagem verbal ou gestual empregada pelos atores sociais, pode ser considerada um elemento constante e fundamental nos processos de interação social.

O ato social é, por excelência, o comportamento externo real e observável, mas ele é condicionado por processos complexos de interações sociais. Quando ocorre uma interação social, o indivíduo é estimulado a acionar sua autopercepção, que pode ser entendida como uma operação mental em que o indivíduo empenha-se num processo comunicativo consigo mesmo, na interpretação dos símbolos externos que estão a sua volta, no contexto em que ele se encontra.

Na segunda etapa, pode ocorrer a ação prática ou comunicativa, que também é influenciada (ou derivada) da situação (ou do contexto) em que o indivíduo se encontra. Por sua vez, a reação dos outros indivíduos envolvidos no mesmo processo de interação conduz a uma nova reinterpretação simbólica. Desta perspectiva, os significados são construídos e reconstruídos.
Subculturas
O interacionismo simbólico foi um recurso metodológico muito empregado nas décadas de 1930 e 1940 pelos cientistas sociais da Escola Sociológica de Chicago nos estudos sobre os variados grupos sociais urbanos, principalmente aqueles que tinham tendências a se constituírem como subculturas (gangues de rua, bandos de delinquentes juvenis, grupos étnicos e até mesmo movimentos sociais).

Esses agrupamentos ou coletividades têm padrões de sociabilidade característicos que, por sua vez, influenciavam o comportamento dos seus integrantes através de normas de conduta validadas dentro do grupo em questão.

Embora possam se institucionalizar, essas coletividades são formas instáveis, fluídas e temporárias de agrupamento social, pois necessitam ser constantemente reconstruídas pelos indivíduos que as compõem.

Pesquisas nessas áreas tiveram como principal preocupação entender os processos de socialização que ocorrem no interior desses grupos. Essas pesquisas privilegiaram os chamados métodos de pesquisa qualitativos, em particular os métodos de "observação participante" e de "história de vida" (ou "biográfico"); que são ambos recursos metodológicos em que o pesquisador interage com o objeto social que é o foco do seu estudo.
Cibercultura e sociedade do consumo
O interacionismo simbólico tem sido muito empregado em pesquisas contemporâneas sobre o comportamento do consumidor e no estudo das novas formas de sociabilidade que emergiram com a Internet.

O consumidor é o alvo principal das estratégias de marketing; por esse motivo, passou a ser essencial entender as escolhas de consumo. Desse modo, os contextos reais de consumo em que os indivíduos estão inseridos são objetos centrais das inovadoras pesquisas de marketing.

Por outro lado, a sociabilidade formada nas interações sociais que ocorrem virtualmente, em decorrência da expansão do uso dos computadores (no âmbito das salas de bate-papo, dos grupos de discussão e das comunidades), está se tornando objeto de pesquisa multidisciplinar (principalmente por parte da sociologia, antropologia e psicologia, entre outras ciências).

Considerado uma perspectiva teórica e metodológica bastante flexível, o interacionismo simbólico tem se ajustado às pesquisas com enfoques nos processos de interações sociais.
Autor: Renato Cancian,  é cientista social, mestre em sociologia-política e doutor em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: gênese e atuação política - 1972-1985".

quinta-feira, 19 de março de 2015

Cibercultura

Excertos da Monografia *“Flash Mobs, movimentos que transcendem o ciberespaço: uma ferramenta alternativa de comunicação” de Éverton Bohn Kist
(…) A palavra virtual vem do latim medieval virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência. Na filosofia escolástica, é virtual o que existe em potência e não em ato. O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado no entanto à concretização efetiva ou formal.(…) Aqui cabe introduzir uma distinção capital entre possível e virtual que Gilles Deleuze trouxe à luz em Différence et répétition. O possível já está todo constituído, mas permanece no limbo. O possível se realizará sem que nada mude em sua determinação nem em sua natureza. É um real fantasmático, latente. O possível é exatamente como o real só lhe falta a existência. (LÉVY, 1996, p. 15)O que Pierre Lévy afirma é que a diferença entre o “real” e o virtual ou atual é algo não tão complexo como se imagina, que o virtual é algo que se atualiza, que tem toda a possibilidade e potencialidade de se tornar “real”, passar para o mundo concreto, porém continua subjetivo, não palpável. Em outras palavras, é possível dizer que o virtual existe em um outro plano, ao qual não se possui acesso físico. Não se pode adentrar no ciberespaço como se entra em uma casa, uma biblioteca, um museu. Mas mesmo assim nos fazemos presentes nesse mundo abstrato constantemente. (…) São com máquinas meticulosamente projetadas pela engenharia computacional que conseguimos as chaves do portão para este mundo não palpável. Através do uso destes artefatos, conseguimos penetrar, localizar e ser localizados nesse complexo mundo cibernético que nos envolve em sua emaranhada teia de fios e cabos. (…)
A informática, juntamente com a internet, torna-se um meio aglutinador de conteúdo, à respeito de todas as áreas. Uma vez que, o conteúdo é produzido também pelo usuário, a partir de inúmeras interconexões e cruzamentos de informações. Porém, uma consequência salta aos olhos, a liberdade que a informação ganhou a partir da revolução do ciberespaço. Por isso, e pelo fácil acesso a informação é que a cibercultura se desenvolveu tão rapidamente e ganhou tantos adeptos.
Com o processo de digitalização vivido hoje, a imagem, o vídeo, a música, as telecomunicações tornaram-se ágeis. Filma-se um acontecimento na rua, a partir de um celular ou uma câmera digital, e logo após se faz o envio do vídeo para o ciberespaço, disponibilizando esta informação para o mundo em uma velocidade fantástica. (…). É a velocidade incomparável vivida pela era das redes digitais. Porém as facilidades que encontramos hoje para utilizarmos o ciberespaço foram construídas passo a passo, através da evolução de várias áreas da ciência e do constante avanço da tecnologia. O homem, a partir daí, foi criando novas formas de se comunicar.
(…). Agora, com a criação e o usufruto do computador e do ciberespaço, qualquer pessoa pode ser um emissor de mensagens em larga escala, um comunicador de massa. Algo que possibilita o homem interagir, comunicar-se, compartilhar informações com seus semelhantes, afins ou não, mais rapidamente e sem a necessidade de um encontro no “mundo real”, transitando somente pelo emaranhado campo virtual, guiados por seus aparelhos informatizados que tenham acesso a rede mundial de computadores. Podemos compreender a cibercultura como a forma sócio cultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações e com a informática na década de 70. (LEMOS, 2003. p. 11)
A cibercultura surge com a necessidade de uma nova forma de relacionamento social, uma maneira de “encontro” sem a demanda de tempo para realizá-lo, sem a necessidade de deslocar-se até um local previamente estabelecido. O encontro ocorre pelo intermédio de máquinas, resultado de uma sociedade nova, aberta a novas tecnologias, que as recebe sem receio. (…). (…) Com a cibercultura, máquinas como o celular e o computador fazem esse intermédio entre as pessoas, facilitando a comunicação e possibilitando um elo entre indivíduos localizados em pontos totalmente opostos do mundo. (…). Podemos assim dizer que, o surgimento de uma nova cultura, a cibercultura, vem transformando significativamente não só as referências espaço-temporais, mas os modelos de comunicação baseados na lógica de rede, aproximando os modos de organização de produção e de organização social (SÁEZ, 2001: p. 215).
Sáez (2001) e Levy (1999) falam que a cibercultura está transformando nosso modo de perceber a distância e modificando as formas de nos relacionarmos com as pessoas, mas não é só isso, mudanças mais concretas tomam forma nas metrópoles e grandes cidades, como nos afirma Castells “As novas formas de comunicação sem fio estão redefinindo o uso do espaço de lugar e dos espaços de fluxos” (Castells, apud Lemos 2004). Horan complementa essas afirmações dizendo que “Nas cidades contemporâneas, os tradicionais espaços de lugar (rua, praças, avenidas, monumentos) estão, pouco a pouco, transformando-se em espaços de fluxos, espaços flexíveis, comunicacionais, “lugares digitais” (Horan, apud Lemos 2004). Através de Tecnologias como o Wi-fi, Bluetooth, as pessoas adquiriram uma liberdade e uma mobilidade ainda maior. É comum ver grupos de pessoas trocando arquivos via Bluetooth, formando uma rede de transferência de arquivos sem fio, caseira. Ou ainda, ver pessoas sentadas em praças, bares, cafés, ruas, avenidas, praias etc, conectadas a internet ao ar livre somente com um laptop, sem a necessidade do uso de cabos. (…). A intervenção da cibercultura nas paisagens urbanas é um ponto de convergência entre vários autores. (…)
(…). Estas inovações vão sendo incorporadas a sociedade, principalmente pelo público jovem, sedento por novidades. Porém, na época em que vivemos em que o “ser jovem” está na “moda”, estas tecnologias ganham espaço em todas as faixas etárias. Em meio a pós-modernidade, mãe e filha se vestem iguais, utilizam artefatos para serem aceitas como pessoas “bacanas e antenadas”. O falar jovem, o vestir-se jovem, os cuidados do corpo, as histerias sociais são, largamente, partilhadas (no todo social). Todos, quaisquer que sejam as idades, classes, status, são, mais ou menos, contaminados pela figura da “eterna criança”. Numa palavra, e este é o objeto de minha reflexão atual, parece-me que à estrutura patriarcal e vertical está se sucedendo uma estrutura horizontal e fraternal. (MAFFESOLI, 2007, p. 99) Vive-se em uma sociedade onde o pai deixa de ser a figura carrancuda, amedrontadora, a pessoa “quadrada” e passa a ter a imagem do amigo. E para ter essa imagem, as pessoas mais velhas tem que se equiparar as mais jovens em conhecimento e domínio da cultura atual.
A partir de tais reflexões, nota-se, que o ciberespaço ganha adeptos não só nas fileiras jovens, mas também nas pessoas adultas e nas de mais idade, que não querem ficar ultrapassadas e perder o contexto da contemporaneidade. Vivemos a era da comunicação e da mutabilidade por meio dela, vivemos a era da comunhão do “estar-junto” como meio de aceitação. Comunicar é passar de identificação em identificação, fora da noção de identidade imutável, na busca de prazer, de sinergia, da sintonia, da comunhão, da conjunção social, do estar-junto que permite viver intensamente o “fantástico do cotidiano” [..]Comunicar, na linguagem dos jovens de agora, é “ficar”. Mas este ficar é oposto da permanência. É um ficar que passa. […] Na pós-modernidade, a socialidade assume o papel de protagonista e ganha o primeiro plano no palco do vivido cotidiano. Portanto, a cena pós-moderna constitui-se pela comunicação como um desejo e um prazer de estar-junto válido em si mesmo, como um ritual não formalizado da vibração em comum. (SILVA, 2004, p. 45)
(…). É através do ciberespaço, que se percorre inúmeros quilômetros no espaço concreto, sem sair da frente do seu computador, é ele que promove o encontro virtual de pessoas separadas fisicamente. Foi a facilidade, já citada anteriormente por Sáez (2001), que a cibercultura nos possibilitou, a quebra de referências espaço-temporais. Através de meios eletrônicos temos acesso instantâneo com determinada pessoa, independente da distância que nos separa. Lemos (2003), afirma que toda a mídia quebra a barreira espaço-tempo, que esta não é uma exclusividade da internet ou do celular. Pinturas rupestres, escritas, telégrafos, rádio, televisão. Todos estes meios que conseguem separar enunciador ou autor do enunciado. Assistir um filme de Charles Chaplin, ler um livro de Edgar Allan Poe são exercícios de separação espaço-temporal. Pois o autor da obra já nem vive mais entre nós, como nos exemplos, mas seu trabalho persiste para a posteridade. Mesmo hoje, em pleno século XXI podemos apreciar e analisar pinturas feitas em cavernas milhares de anos atrás. Idealizadas, executadas há milhares de anos e apreciadas até hoje.
Levy (1999, p.15), afirma ainda, que nas sociedades orais as mensagens eram passadas no mesmo contexto em que eram produzidas, minimizando assim as possibilidades de uma interpretação errônea. Através de um diálogo, qualquer possível dúvida que viesse a existir, seria logo eliminada com uma simples pergunta direta ao seu interlocutor. Entretanto, muito conhecimento era perdido e desperdiçado pela dificuldade de transmiti-lo em grande escala e pela “regionalização da informação”, uma vez que, eram necessárias viagens para transmitir o conhecimento para outras pessoas e povos. Porém, com o advento do ciberespaço e da cibercultura, estas viagens podem ser feitas de maneira virtual. Após o surgimento da escrita, os textos se separam do contexto vivo em que foram produzidos. (…). A hipótese que levanto é a de que a cibercultura leva a co-presença das mensagens de volta a seu contexto como ocorria nas sociedades orais, mas em outra escala, em uma órbita completamente diferente. A nova universalidade não depende mais da auto-suficiência dos textos, de uma fixação e de uma independência das significações. Ela se constrói e se estende por meio da interconexão das mensagens entre si, por meio de sua vinculação permanente com as comunidades virtuais em criação, que lhes dão sentidos variados em uma renovação permanente. (LEVY, 1999, p.15)
(…) É a informação quebrando inúmeras barreiras, alavancada pela internet, um meio comunitário e igualitário, capaz de unir pessoas separadas por um “abismo” cultural e geográfico. Nota-se, portanto, que a quebra da barreira espaço-temporal não é uma exclusividade da internet e dos telefones móveis, porém, um de seus atrativos e diferencial, é o tempo real. Esta barreira do tempo e do espaço já não existe, mesmo para confecção do livro ou do filme. Porém, com a internet e o ciberespaço esta quebra é imediata, ao vivo. Por isso, o ciberespaço se apropria das qualidades das sociedades orais e as combina com as qualidades da linguagem escrita, tendo em vista que a internet é um meio de troca de informação e conhecimento, pode-se manter um diálogo, fazer perguntas, aglutinar informações através do conhecimento coletivo, minimizando assim os possíveis erros de interpretação. Com a quebra da barreira espaço-tempo, ocorre também o apogeu da “regionalização do conhecimento”, uma vez que não existem fronteiras espaciais e geográficas no ciberespaço; as informações trocadas via internet, em sua maioria, se dão de forma escrita, através de comunidades virtuais que Levy (1999, p. 27) define como “um grupo de pessoas que se corresponde mutuamente por meio de computadores interconectados”. Estas informações ficam guardadas ou arquivadas em e-mails, web logs, fóruns, disponíveis para acesso a qualquer momento.
Um dos atrativo mais marcante da internet é a liberação do pólo emissor de conteúdo. A linha fixa e precursora do mass media: enunciador, enunciado e receptor, assim como a barreira espaço-temporal, também foi quebrada. Na internet, produtor também é receptor e vice-versa. Através de um web log, miniblog, comunidade virtual ou outra das inúmeras maneiras de expressar a opinião na internet, qualquer pessoas pode se tornar uma formadora de opinião, quebrando assim a exclusividade que por longos anos foi privilégio de poderosos veículos de comunicação, que decidiam o que deveriam repassar ao público de acordo com o seu interesse. Por isso, afirma-se que a internet e o ciberespaço são meios comunitários e igualitários. Os tradicionais meios de comunicação tidos como de massa não são mais os únicos instrumentos formadores das idéias partilhadas pelos membros de uma sociedade. (…)
(…) A palavra chave desta era é a conectividade, a ligação entre as pessoas, que possibilita a transmissão de informações. Os indivíduos deixam de ser somente hospedeiros e repassadores da informação, tornando-se produtores de conteúdo. Através de web logs, paginas pessoais, e-mail, twitter, pessoas comuns, relatam suas experiências, seus anseios e divulgam suas opiniões sobre os mais diversos assuntos. (…) agora, muitos criam para muitos. “É a auto-geração de conteúdo, é a emissão auto-direcionada e é a auto-seleção na recepção por muitos que se comunicam com muitos” (CASTELLS, apud Schieck, 2006, p.3).
A internet e o ciberespaço chegaram para quebrar barreiras espaço-físico-temporais. Para “unirem-se” as pessoas não mais necessitam estar em um mesmo ambiente físico, basta a vontade e a afinidade em algum assunto, sítios de relacionamento, web logs, e-mails. São inúmeras as possibilidades e campos de relacionamento abertos pela rede mundial de computadores. Uma comunidade virtual pode, por exemplo, organizar-se sobre uma base de afinidade (…). Apesar de “não presente”, essa comunidade esta repleta de paixões e de projetos, de conflitos e de amizades. Ela vive sem lugar de referência estável: em toda parte onde se encontrem seus membros móveis… ou parte alguma. A virtualização reinventa uma cultura nômade, não por uma volta ao paleolítico nem as antigas civilizações de pastores, mas fazendo surgir um meio de interações sociais onde se reconfiguram com um mínimo de inércia. Quando uma pessoa, uma coletividade, um ato, uma informação, se virtualizam, eles se tornam “não presentes”, se desterritorializam. Uma espécie de desengate os separa do espaço físico ou geográfico ordinários e da temporalidade do relógio e do calendário. (LÉVY, 1996, p. 20)
Levy e Maffesoli discorrem sobre essas possibilidades comportamentais promovidas pela cibercultura de maneira muito semelhante, porém, com nomenclaturas diferentes. O primeiro, fala em comunidades virtuais, já o segundo, denomina este comportamento como tribalismo.
*Leia a Monografia na íntegra clicando AQUI
Fonte: https://grupopapeando.wordpress.com/2011/02/18/cibercultura/

A cibercultura na educação

A cibercultura na educação

Marcelo Mendonça Teixeira

Apesar dos evidentes benefícios para o processo de ensino-aprendizagem, devemos repensar a influência da internet e das novas tecnologias em nossa cultura, conscientes de seus pontos fortes e limitações,  como a falta ou a precariedade de acesso à rede.
 
O ciberespaço, responsável pela rede global de comunicação mediada, possibilita as relações tecnossociais atuantes na sociedade contemporânea, ampliadas por redes sociais: uma sociedade conectada, colaborativa, hipertextual, destituída de presencialidade física e apoiada por interfaces da Web 2.0, mais recente, por recursos da Web semântica e pela computação em nuvem. Outros tantos atributos são delegados ao universo virtual, assim como os problemas que dela fazem parte, como isolamento e sobrecarga cognitiva, informações duvidosas, dependência e infoex­clusão de milhares de pessoas que também querem fazer parte dessa cultura global, mas que, por algum motivo, geralmente de cunho econômico, estão longe de se tornar ciberculturais e integrantes de alguma geração digital.
 
O conceito de cibercultura 
A ausência de significado explícito na literatura nos condiciona ao étimo da palavra “cibercultura”. Assim, em sentido estrito, temos o prefixo “ciber” (de cibernética) + “cultura” (sistema de ideias, conhecimentos, técnicas e artefatos, de padrões de comportamento e atitudes que caracteriza uma determinada sociedade). No entanto, o ambíguo conceito sofre variações a partir do referencial etimológico, pois cada autor exprime uma conotação ideológica e descritiva própria que nem sempre é compartilhada por seus pares. Desse modo, optei por aqueles que se dedicam ao estudo das práticas tecnossociais da cultura contemporânea e de suas novas formas de sociabilidade, comutadas do mundo físico para o universo virtual (Teixeira, 2012a). 
 
Pierre Lévy, ao publicar A máquina universo (1987), lapida o conceito de cibercultura ao indagar questões pertinentes ao movimento sociotecnocultural em que a sociedade está inserida. Segundo o filósofo, este é um tema polêmico e multifacetado em que culturas nacionais fundem-se a uma cultura globalizada e cibernética, envoltas no ciberespaço e orientadas por três princípios: interconexão, comunidades virtuais e inteligência coletiva. Trata-se de um “conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (Lévy, 2010, p. 17). As “técnicas” condicionam as interações sociais, mas não representam a cultura do ciberespaço, que se incorpora no espaço virtual-cognitivo das pessoas, na partilha de sentimentos, informações e saberes. Afinal, “a virtualização é um dos principais vetores da criação da realidade” (Lévy, 2009, p. 18). 
 
Desde o final da década de 1990, a introdução das tecnologias de informação e comunicação (TICs) na educação é aceita por sistemas de ensino em todo o mundo como uma epítome do desenvolvimento educacional na história da humanidade. Nesse sentido, os governos nacionais têm investido massivamente na compra de equipamentos, softwares e formação docente contínua, à medida que surgem recursos tecnológicos inovadores.
 
Em situação contrária, o país é rotulado como uma nação pobre e infoexcluída pelo International Bureau of Education, órgão da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Ciência (Unesco) especializado em educação com o objetivo de facilitar a oferta de educação de qualidade em todo o mundo. Na verdade, criou-se um estigma globalizado que correlaciona o aparato tecnológico da escola, da universidade ou do centro de ensino à qualidade da educação, tornando-o sinônimo de mão de obra qualificada, mas nenhuma evidência científica lastreia o argumento de que as TICs são decisivas na aprendizagem de jovens e adultos, conforme Aviram (2000).
 
Não seriam facilitado­res? Aviram propõe que o desenvolvimento mais significativo que acompanha a revolução das TICs na educação ocorre fora da escola, refletido na impressionante quantidade de alunos que não estudam em casa nem pertencem a nenhum sistema formal de ensino (prática comum no Reino Unido). Citando o caso inglês, o autor conta que os membros da classe média acreditam que as chances para o progresso educacional de seus filhos são maiores em casa (com o auxílio de materiais didáticos e grupos de apoio baseados na internet) do que na escola. O mesmo se estende à universidade, dados os milhares de alunos matriculados em cursos de nível superior on-line. A Open University, por exemplo, tem aproximadamente 250 mil estudantes no Reino Unido, na Irlanda e na Europa (www8.open.ac.uk /about/main/).
 
O ciberespaço possibilita o autoaprendizado, facilita a interatividade e estimula a troca de informações e saberes, mas não garante o sucesso do aprendizado, comumente desmotivado pela falta de estímulo. Disso decorre a importância da escola e do professor como mediadores do conhecimento a ser construído, aliados às estratégias pedagógicas, materiais didáticos e metodologias de ensino. Ainda assim, particularidades por vezes desconhecidas, outrora ignoradas, fazem a diferença quando “lincamos” educação a cibercultura. Diante disso, Lemos (2003) indica novas possibilidades de socialização do conhecimento através de três leis da cibercultura: lei da liberação do polo da emissão, lei da conectividade e lei da reconfiguração.
 
A primeira refere-se a uma modificação no modelo de comunicação até então vigente (meio massivo unidirecional — um para todos) e cede espaço à comunicação interativo-colaborativa (meio pós-massivo multidirecional — todos para todos). A máxima é “tem de tudo na internet”, “pode-se tudo na internet”. A segunda define que a rede está em todos os lugares, generalizada, interligando tudo a todos. Mediante a crescente interconexão entre dispositivos de comunicação digital, amplia a troca de informações entre homens e homens, máquinas e homens e também entre máquinas e máquinas. A terceira é contrária à mera substituição de práticas e favorável a seu redesenho em face das novas possibilidades instrumentalizadas pelo ciberespaço, evitando a lógica da substituição ou do aniquilamento dos antigos meios, já que, em várias expressões da cibercultura, trata-se de reconfigurar práticas, modalidades midiáticas ou espaços sem a substituição de seus respectivos antecedentes (Lima, 2011; Lemos, 2003).
 
Uma educação cibercultural
Para a educação, urge que implementemos mudanças no ensino tradicional, secularmente institucionalizado, reconfigurando práticas educomunicativas de acordo com o novo cenário sociotécnico atual, frente à emergência de novas formas de comunicação interativa (muitos para muitos) e da miríade de conteú­dos informativos na rede. Doravante, acompanhar a evolução midiática e fazer uso tanto dos antigos quanto dos novos recursos comunicativos é um imenso desafio, congênere às peculiaridades de cada contexto educativo (situações ambientais e transformações da consciência coletiva em rede), obviamente, em sentido figurado, tendo em vista que a alfabetização midiática não está disponível a grande parte da população mundial.
 
Aos afortunados “nativos digitais” equivale a realidade mencionada: um universo virtual que suporta o processo de criação, produção e distribuição de produtos, informações e serviços; a inteligência coletiva, o hipertexto e a inteligência artificial; as interfaces síncronas e assíncronas de comunicação; as comunidades virtuais, a colaboração em massa e a interatividade em tempo real, onde as pessoas estão conectadas e o conhecimento é compartilhado (através de imagens, vídeos, textos, áudios) em escala global (Teixeira, 2012b). A cibercultura totaliza esse contexto, símbolo de um período da história da humanidade marcado pela comunicação eletrônica e pelas mídias digitais, influenciando, direta ou indiretamente, a educação e os modos de ensinar e aprender. 
 
A cibercultura também se faz presente na educação por meio de múltiplas linguagens, múltiplos canais de comunicação e em temporalidades distintas. As interfaces da Web 2.0, por exemplo, permitem um contato permanente entre escola, professores, alunos e seus pares no ambiente virtual de ensino. Sem fronteiras para o conhecimento, os conteúdos educativos são trabalhados interativamente na comunidade estudantil, de forma síncrona e assíncrona, com a possibilidade de produzir e compartilhar conhecimentos colaborativamente com qualquer outro estudante em qualquer parte do mundo.
 
Contudo, apesar dos evidentes benefícios para o processo de ensino-aprendizagem, devemos repensar a influência da internet e das novas tecnologias em nossa cultura, conscientes de seus pontos fortes e limitações, como a falta ou a precariedade de acesso à rede. Além disso, é fundamental avaliar a capacidade do estudante para utilizar as tecnologias propostas como instrumento de produção de conhecimentos transdisciplinares, e não apenas de informação, redefinindo a racionalidade comunicativa em estratégias educacionais no ambiente virtual.
 
Em outras palavras, a abstenção não é realmente uma opção para instituições de ensino, professores e gestores educacionais, já que a introdução das TICs na educação faz parte de uma revolução sociocultural mais ampla e profunda que está mudando a cultura do mundo contemporâneo. Quem deseja sobreviver profissionalmente a essas mudanças ciberculturais não tem outra opção senão adaptar-se à época em que vivemos, marcada por novos modos de comunicação, estilos de vida, identidades, entretenimento, interatividade às novas formas de ensinar e aprender.
 
A adaptação, porém, requer uma estratégia bem definida, com base em uma clara compreensão da nova cultura emergente, dos valores explícitos e objetivos educacionais, evitando o instrucionismo mecanizado. Por isso, torna-se necessária uma literacia informática prévia entre educadores e educandos, como meio de melhorar competências, conhecimentos, atitudes e perspectivas sobre o futuro da aprendizagem, que é cada vez mais colaborativa. Os consumidores tornam-se produtores e os produtores tornam-se consumidores de conteúdos, bens e serviços, em um novo modelo econômico planetário, sem restrições ou barreiras, induzido por um processo contínuo de colaboração massiva (Tapscott e Williams, 2010).
 
Portanto, o conceito de cibercultura está em permanente transformação, com muitas conotações, idealizadas notoriamente pelas práticas tecnossociais da cultura contemporânea e de suas novas formas de sociabilidade no universo virtual, ou seja, uma virtualização cultural da realidade humana, fruto da migração do espaço físico para o virtual mediado pelas TICs e regida por códigos, signos e relações sociais dentro e fora dos espaços escolares. 
 
NOTA
1. O autor agradece à Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT), ao Programa Operacional Potencial Humano de Portugal e ao Fundo Social Europeu.

Fonte: https://www.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/9258/a-cibercultura-na-educacao.aspx

domingo, 12 de outubro de 2014

Caminhos da linguagem: uma visão transdisciplinar - lançamento de livro

A ideia de escrever este livro surgiu durante o Curso de Mestrado em Letras da terceira turma do PPG Letras UniRitter, Porto Alegre. A intenção inicial era convidar os colegas dessa turma, após defesa, para integrarem uma coletânea de artigos em que cada mestre escrevesse sobre seu assunto da dissertação, pois não nos parecia coerente que após um árduo trabalho de leituras, pesquisas e análises nosso trabalho virasse um livro de um único volume que, possivelmente, ficaria guardado em uma gaveta.

Caminhos da linguagem: uma visão transdisciplinar, o tema abordado por cada escritor surgiu a partir de inquietações observadas ao longo da experiência profissional, e em alguns casos, pessoal, vivenciada pelo autor. A singularidade deste trabalho está na diversidade profissional dos autores que compõem a obra. São profissionais da área educacional, pedagógica, jurídica, psicológica e militar, mas que estão unidos por um fio condutor único – o estudo da linguagem. E foi desta pluralidade que resultou esta obra, uma visão transdisciplinar mediada pela linguagem.

SUMÁRIO:

COPPETTI, Lígia. Influência Cultural na Linguagem utilizada
pelos participantes em um Ambiente Virtual de Aprendizagem

COVATTI e SILVA, Katiane. Análise Crítica do Discurso: Um olhar
crítico sobre o discurso e seus padrões de acesso

FRAGA, Dinorá & PREDIGER, Angélica. A TELA: aspectos
topológicos na construção de textos verbais e não verbais

GUIMARÃES, Dirce Maria. Sobre a Mediação Docente nos
primeiros anos do Ensino Fundamental

JARDON, Manuel. A Intersubjetividade para Bakhtin e Benveniste

LEFEBVRE, Rosane. Mecanismos Reveladores da Autoria no
Trabalho com Gênero “narrativa pessoal”

MELLO, Maíra. Ações e Interações no Ensino‐Aprendizagem de
Línguas em uma Escola Regular

PIRES, Vera & KNOLL, Graziela. Dialogismo e Comunicação: um
diálogo entre Bakhtin e Jakobson e suas contribuições para os
estudos da linguagem

RAMOS, Jairo Eduardo. O Gênero Discursivo na Esfera Militar do
Exército Brasileiro

SILVEIRA, Amelina. Como a Cultura Brasileira é mostrada em
Materiais Didáticos de Língua Português para Estrangeiros

SILVEIRA, Regina & ALVES, Eva. O Mito do Silêncio e as
Narrativas

AUTÓGRAFOS

QUARTA, 05 DE NOVEMBRO . MEMORIAL DO RS - TÉRREO . 18H

CAMINHOS DA LINGUAGEM: UMA VISÃO TRANSDICIPLINAR


Ligia Sayão Lobato Coppetti
Rosane Lefebvre
Pedro e João Editores
Vendas: Banca da AGEI (Associação Gaúcha dos Escritores Independentes)
Valor: R$27,00 (já com desconto da Feira)
ou encomenda pelo e-mail: ligia.coppetti@gmail.com

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Internet e escola de mãos dadas

Os livros e cadernos, aos poucos, estão sendo substituídos por tablets. O quadro negro, que depois ficou branco, agora é digital. As aulas podem ser assistidas a distância. E a tarefa de casa pode ser feita numa rede social. O que antes parecia coisa de filme futurista tornou-se realidade.
A tecnologia está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, assim como na educação. Antes de isso tudo tornar-se tão evidente, o filósofo francês Pierre Lévy já defendia a teoria da inteligência coletiva e da cibercultura. Para ele, estamos vivendo o início de uma transformação cultural, em que a forma de construir o conhecimento é colaborativa. Lévy explica que os educadores precisam mergulhar na cultura digital, para compreender o universo dos estudantes. Além disso, ele salienta que os professores devem usar as ferramentas virtuais em benefício da educação, explorando suas singularidades e dando mais espaço para que os estudantes participem mais ativamente do processo de ensino-aprendizagem. Durante o V Congresso Internacional Conexão RCE (Rede Católica de Educação), realizado em Brasília, o filósofo conversou com a revista Gestão Educacional sobre as mudanças que precisam ser aplicadas na educação.
Gestão Educacional: Nos últimos anos, o Brasil tem se destacado no cenário econômico mundial. Infelizmente, no aspecto educacional, a situação está longe do patamar dos países desenvolvidos. Como educar para o futuro nesse cenário?
Pierre Lévy: Fico impressionado como os brasileiros têm uma ideia negativa do seu próprio país. Primeiramente, o Brasil está se transformando na quinta potência econômica do mundo, com uma taxa de crescimento muito elevada. Sim, tem analfabetismo, mas, apesar disso, há um esforço importante focado na educação. E sempre que eu venho para cá, vejo uma porção de profissionais focados, esforçados para trabalhar com educação, da educação infantil ao ensino médio. São pessoas que têm a consciência de que o futuro está nesse investimento em educação e em conhecimento. Então, não fiquem desesperados. Continuem com esse entusiasmo extraordinário que vocês têm. Claro, há problemas. E nós temos que resolvê-los com as ferramentas de hoje e com a visão do futuro. As pessoas precisam acreditar no hoje. E muitos professores têm essa visão.
Gestão Educacional: Quais são as dificuldades de usar ferramentas digitais em sala de aula?
Pierre Lévy: Não há obstáculos. Todos os estudantes têm uma habilidade extraordinária para usar esse tipo de ferramenta. Agora, os professores têm que conhecer tão bem quanto as crianças. Sobretudo, isso tem que ser utilizado numa ótica de aprendizagem colaborativa. Eu acredito que o professor precisa se capacitar, porque ele só pode ensinar aquilo que ele domina. Eu não acredito na formação do professor apenas para usar as redes sociais. O professor também tem que se esforçar. Utilizar isso para si próprio. É só uma questão de entrar nessa cultura. E de implementar o know-how pedagógico utilizando essas ferramentas.
Gestão Educacional: Podemos dizer, então, que a forma de ensinar mudará nos próximos anos?
Pierre Lévy: Sim, estamos no início de uma grande transformação cultural. Hoje, nós podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo. O banco de dados da internet funciona como uma biblioteca única de todo o mundo. E nós podemos usar essas informações, que podem estar em outros idiomas, porque já há ferramentas que traduzem tudo para nós. Esses três processos eu chamo de ubiquidade, interconexão e manipulação automática de símbolos. Essa é a nova situação que vivemos. Isso está ligado à educação, porque temos que preparar os alunos para essa nova realidade. Mas temos que nos preparar antes de ensinar.
Gestão Educacional: E o que seria a gestão da atenção? E como ela contribui para diminuir a chamada sobrecarga cognitiva?
Pierre Lévy: A gestão da atenção não é algo que começou com as ferramentas digitais. A disciplina mental, aprender a concentrar-se, é algo que sempre foi útil e que deve também ser aplicado com essas ferramentas. Não é possível estar diante de uma tela de computador e, de uma hora para outra, esquecer o que se está fazendo e ir fazer outra coisa, de qualquer jeito. Diante do computador, é necessário controlar a sua mente e se concentrar num objetivo de aprendizagem e de colaboração. A sobrecarga cognitiva é realmente um problema falso porque é o mesmo que dizer que há livros demais em uma biblioteca. Muitos livros não provocam uma sobrecarga cognitiva. Você aprende a utilizar os arquivos da biblioteca, as fichas, a escolher um livro mais adequado com seu objetivo e você lê esse livro. A gente não vai começar a ler a primeira página, depois buscar outro livro. Na plataforma on-line acontece o mesmo. É a responsabilidade pessoal que faz a diferença.
Gestão Educacional: Mas muitos professores reclamam que os alunos ficam dispersos diante do computador ou do celular.
Pierre Lévy: Bom, eu também tenho alunos e quando eu dou aula, eles ficam olhando para o celular também. Eu sou super severo. Eu proíbo que eles olhem o celular durante a aula. Mas, em certo momento da aula, eu digo: “pronto, agora vocês podem olhar o celular”. E todos eles olham. Eu também passo um exercício. Eles podem “tuitar” alguma coisa ou eles têm que buscar alguma coisa no Google, no Wikipédia. Depois eu digo que acabou e é hora de desligar o computador e desligar o telefone. A gente precisa aprender quando ligar e desligar o aparelho, utilizando-o conscientemente. É um domínio de si próprio, uma disciplina. E essa disciplina já tem que ser ensinada desde a escola primária.
Gestão Educacional: Algumas escolas já usam o tablet como material obrigatório, substituindo livros e cadernos. Até que ponto é indispensável que cada aluno tenha o seu computador em sala de aula?
Pierre Lévy: É muito difícil manter as antigas ferramentas de leitura e de escrita durante muito tempo. Então, daqui a alguns anos, eu prevejo que o material escolar de hoje será substituído por tablet. Mas não o tablet de hoje, mas o tablet de amanhã, no qual nós teremos todos os manuais didáticos, as ferramentas de escrita, de pesquisa. Um tablet como ferramenta de trabalho. Um tablet que permita fazer anotações nas margens de livros. Coisas assim que ainda são um pouco difíceis hoje em dia. Vai ser algo mais leve e, possivelmente, até custe mais barato. Agora, uma sala de aula é difícil imaginar. A gente nem sabe como vai ficar essa noção de sala de aula completamente. Porque são questões muito complexas. Isso é um processo em curso.
Gestão Educacional: Em vários estados brasileiros, os professores estão recebendo computadores ou tablets. O que o senhor acha disso?
Pierre Lévy: Isso é muito bom. A gente não pode ensinar aquilo que a gente não sabe. Não dá pra ensinar se a gente não domina.
Gestão Educacional: As novas tecnologias podem prejudicar?
Pierre Lévy: Não. As novas mídias não têm impacto negativo. O impacto negativo acontece quando as pessoas estão expostas a coisas negativas. O problema não é a internet. É a falta de disciplina mental. Seria o mesmo que dizer que as estradas são malvadas porque matam gente. Não, na verdade são as pessoas que dirigem mal.
Gestão Educacional: Mas alguns alunos hoje já têm dificuldade de escrever, porque lidam mais com a digitação.
Pierre Lévy: Aprender a escrever é importante, claro. O que ocorre é o mesmo [que acontecia] quando as pessoas começaram a ter calculadoras. Antes, todos faziam o cálculo mental. Hoje, ficam sem saber se não tiverem a calculadora do lado. No futuro, a maioria das pessoas vai escrever e ler com essa nova ferramenta.
Gestão Educacional: Como o senhor usa as redes sociais com os seus alunos?
Pierre Lévy: Por exemplo, todos os meus alunos têm Facebook. Mas geralmente eles não conhecem a funcionalidade grupo. O que fazemos é o seguinte: formamos um grupo e, a cada semana, cada um tem que postar alguma coisa. Um vídeo, um link relacionado ao tema da aula. Os outros têm que ler o que o colega enviou e comentar, discutir junto. Então, eles alimentam o grupo e eles aprendem a discutir. Se um postar alguma coisa que o outro já postou, ele fica com uma nota ruim porque significa que ele não prestou atenção nos outros. Também não pode fazer uma pergunta que já foi respondida. Eu tento ensinar a economia na comunicação para que não percam tempo. São coisas assim, que se tornam úteis.
Gestão Educacional: Isso seria a inteligência coletiva?
Pierre Lévy: Sim. A própria internet é uma memória de produção coletiva. De certa forma, isso sempre existiu, porque o que conhecemos hoje é uma herança do que já foi feito. A escola do futuro será a escola social, onde a aprendizagem será colaborativa. Não é que a escola de hoje deixará de existir. É uma camada que complementa a outra. Logo, temos que educar visando esse novo comportamento, através de uma pedagogia de aprendizagem coletiva permanente.
Gestão Educacional: E como os professores podem orientar os alunos?
Pierre Lévy: Primeiro, devem ensinar sobre responsabilidade social para a memória coletiva. Tudo o que você posta na internet contribui para a memória coletiva. Segundo, é preciso ter um espírito crítico. Os alunos devem saber separar as fontes boas e as fontes ruins, porque um mesmo evento pode ser contado de diversas formas. Depois vem a gestão da atenção, como já citei. Outra coisa importante é a necessidade de produzir para assimilar. É a transformação da informação em conhecimento.
Gestão Educacional: Como serão os alunos do futuro?
Pierre Lévy: Serão pessoas criativas, abertas, colaborativas e, ao mesmo tempo, terão a capacidade de se concentrar, porque terão uma mente disciplinada. É necessário ter um equilíbrio entre dois aspectos: o primeiro é a imensidão de informações, contatos, colaborações. O outro é o aspecto de planejamento, realização de projetos, disciplina mental.

Fonte: http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/reportagens/entrevistas/115-internet-e-escola-de-maos-dadas