segunda-feira, 30 de agosto de 2010

De que maneira a Internet influencia suas relações sociais?




Publicação Jul 2010
por Mariana Oliveira
Redatora

Todo mundo conhece um entusiasta da internet. Aquele que acha que graças aos cabos conectados todas as pessoas se unem, colaboram e salvam o mundo das cáries. Que insiste para que todo mundo faça seu perfil naquela última rede social que é a novidade da semana, pois através dela você poderá se conectar com o mundo todo, descobrir pessoas que pensam como você, e… Bom, você entendeu: o cara que acha que a internet é a salvação do mundo.

E, no outro extremo, todo mundo também conhece um “apocalíptico” de internet. Sim, aquele que acha que a internet deteriora as relações, que considera um absurdo expor sua vida online, que diz “get a life!” se você permanece muito tempo conectado, e que acha que as amizades se perdem a partir do momento que não marcamos de encontrar um amigo para saber as novidades, apenas mandamos um e-mail. Aquela pessoa que se recusa a participar dos memes de internet e que acha tudo isso uma grande alienação em detrimento aos temas que realmente devem ser debatidos… Bom, você também já reconheceu alguém assim entre o seu círculo social.

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra: o fato é que a Internet trouxe muitas coisas positivas para as relações sociais. Reencontramos amigos do tempo da escola, conhecemos novas pessoas que possuem interesses parecidos com os nossos, conseguimos manter relacionamentos à distância, e por aí vai. Mas o que também não vale é se trancar em casa e viver isolado para só ficar na internet, sem o contato físico, sem sair para ver o mundo.

Uma pesquisa recente do PewResearch em parceria com o grupo Imagining The Internet, da Elon University, entrevistou 895 experts sobre o futuro da web e sua influência nas relações pessoais. A grande maioria dos entrevistados (85%) vê a Internet como uma força positiva na construção de seus relacionamentos, argumentando que, entre outros benefícios, a comunicação online “custa” menos para as pessoas (e este “custo” pode ser medido tanto em dinheiro quanto em tempo). Outra consideração positiva é a eliminação das barreiras geográficas, que facilitam a manutenção de um círculo social que não está próximo fisicamente.

Entre as conseqüências negativas, alguns dos respondentes pontuaram que a Internet nos “rouba” um importante tempo que poderia ser investido nas relações face-a-face; que torna as amizades mais superficiais; e principalmente que a internet permite que as pessoas se isolem em suas opiniões, ao só se relacionar com quem concorda com você – e isto gera intolerância.

Há quem diga que a internet nos afasta das pessoas, e que estamos virtualizando nossos sentimentos: saia do Twitter, encontre seus amigos “de verdade”, vá viver! Eu particularmente já não acredito nessa distinção online/offline, real/virtual: acho extremismo considerar que apenas as relações offline é que podem ser contabilizadas como suas amizades “reais”. Acredito, inclusive, que a Internet tenha contribuído para que as pessoas conheçam mais gente, saiam de casa e se encontrem: o fenômeno dos aplicativos baseados em geolocalização está aí para comprovar isso. Afinal, quem nunca recuperou um contato esquecido por causa das redes sociais? Ou começou uma amizade com aquele colega que apenas cumprimentava nos corredores, mas passou a seguir no Twitter e descobriu várias coisas em comum? Isso sem contar as relações que começam totalmente no virtual e depois partem pro real, rompendo as barreiras físicas (ah, e quem não se lembra de algum casal que se conheceu pela internet?).

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